O governo brasileiro vai romper o acordo automotivo mantido com o México devido ao deficit crescente no comércio de automóveis entre os dois países, segundo reportagem do jornal Valor Econômico. De acordo com a publicação, o fato de a balança comercial entre os dois países ter se tornado desfavorável para o Brasil a partir de 2009 deixou a presidente Dilma Rousseff “incomodada”.
Além do déficit comercial, há também um componente tributário envolvido no impasse. Como a venda desses produtos é regulamentada por um acordo bilateral, os veículos não podem ser considerados artigos importados pela receita federal e, portanto, não sofreram com o recente aumento da tarifa do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).
Em 2010, a reportagem lembra que as importações brasileiras de veículos fabricados no México sofreram uma elevação de 40%, atingindo um montante superior a dois bilhões de dólares.
O Brasil, por sua vez, exportou no mesmo período o equivalente a 372 milhões de dólares, o que resulta em uma diferença de cerca de 1,7 bilhão de dólares. Assim, o rombo entre os anos de 2010 e 2011 sofre um aumento de 162%.
Mais além, a montagem desses automóveis também representa um dilema. Automóveis brasileiros precisam ser compostos por, pelo menos, 45% de peças de origem local enquanto que os mexicanos podem exportar veículos com apenas 35% de peças locais para a zona do Mercosul.
Autoridades do governo mexicano defendem pequenas alterações nos termos do acordo, mas não uma revogação completa. O chanceler brasileiro, Antônio Patriota, debaterá o assunto durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.









